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Ônibus Lilás presta atendimento à mulher no Terminal Alvorada

Rio de Janeiro, 7 de Março de 2017.

Comentários de teor obsceno, olhares, intimidação, aproximação indesejada e importunações de teor sexual. Situações pelas quais muitas mulheres já passaram, inclusive dentro do transporte público, e que são vistas, erroneamente, até como elogios ou brincadeiras são o mote da campanha que a Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social, preparou para este ano. O lançamento será nesta quarta-feira (08/03), às 11h, no Terminal BRT Alvorada, na Barra da Tijuca, por onde circulam cerca de 50 mil pessoas diariamente do sistema troncal (ônibus do BRT) e das linhas alimentadoras. A equipe multidisciplinar, composta por psicóloga, assistente social e advogada, prestará, ao longo do dia, atendimento no Ônibus Lilás. A unidade móvel, que é uma iniciativa permanente da SPM e vai percorrer ainda outros bairros da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, estará também na Central do Brasil e em diversas localidades do estado.


“Essa campanha é de fundamental importância para chamar atenção da sociedade para os direitos da mulher. Cresci em uma família de mulheres fortes, que sempre me deram exemplo de integridade e da importância do trabalho. Todas as mulheres devem ser respeitadas e sempre vou defender esses valores como homem público”, declarou o secretário Pedro Fernandes.


As situações de assédio vão ilustrar a campanha informativa e de conscientização, que vai ganhar as redes sociais das entidades envolvidas com a hashtag: #cidadaoconsciente. “A campanha que vamos começar no dia 8 de março, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, é focada no assédio sofrido pelas mulheres, principalmente nos transportes e vias públicas. Fizemos parceria com o BRT, com órgãos do Estado e da sociedade civil, como o grupo Think Olga, que desenvolveu a iniciativa Chega de Fiu Fiu. Nossa primeira ação, será no Terminal BRT Alvorada, local onde passam diariamente muitas mulheres, além de ser saída de diversos ônibus”, destacou a subsecretária de Políticas para as Mulheres, Eduviges Lopes.


O Consórcio BRT já tinha sido parceiro da secretaria durante o Carnaval na campanha de prevenção ao desaparecimento de crianças e adolescentes, quando foram distribuídas gratuitamente 20 mil pulseiras e 20 mil panfletos explicativos para pais e responsáveis que passaram pelas estações Alvorada, Recreio, Jardim Oceânico e Madureira. Sobre essa nova ação realizada conjuntamente, a diretora de Relações Institucionais do BRT Rio, Suzy Balloussier, espera que a data seja um momento de reflexão e atitudes.


"É inaceitável que em 2017 a gente ainda tenha que fazer campanha contra agressão às mulheres. Que esse evento seja uma oportunidade para aquelas que ainda vivem oprimidas, sem coragem de ir à polícia ou que estão numa prisão emocional. Não importa se é assédio, se é violência física. Tudo isso representa violação dos direitos humanos e precisa ser denunciado", afirmou ela.


Balanço divulgado pela Polícia Militar revelou que, a cada quatro minutos, ao menos uma mulher foi agredida no estado do Rio durante o Carnaval. Entre 8h, do dia 24 de fevereiro, e 8h, do 1º de março, a polícia atendeu a 15.943 solicitações, destas 2.154 chamadas foram relacionadas à violência contra mulher. É por isso que outra ação da secretaria é a veiculação do vídeo da campanha Chega de Fiu Fiu, de combate ao assédio sexual em espaços públicos, nas TVs dos ônibus do BRT, ao longo de todo o mês de março.


“É fundamental compartilhar nossas histórias, colocar para o mundo o que vivemos, para que esse tema seja coletivo. E está aí a nossa força. O assédio não é algo que acontece com uma pessoa só, é coletivo. Temos que saber que é nosso direito usar a cidade da mesma forma que os homens”, diz Juliana da Faria, fundadora da Olga.


O Chega de Fiu Fiu foi lançado em 2014 pelo Think Olga e, inicialmente, foram publicadas ilustrações com mensagens de repúdio a esse tipo de violência, mas acabou sendo o início de um grande movimento social contra o assédio em locais públicos. Agora vai virar um longa metragem com lançamento previsto para o segundo semestre desse ano. Para subsidiar a campanha, a Think Olga elaborou um estudo com mais de sete mil participantes, que mostrou: 98% delas já haviam sofrido assédio, 90% já trocaram de roupa antes de sair de casa pensando onde iam por causa de assédio e 81% já haviam deixado de fazer algo (ir a algum lugar, passar na frente de uma obra, sair a pé) por esse motivo. O estudo revelou ainda que 99,6% das respondentes não gostava desse tipo de “cantada” e que mais de 70% não respondia às provocações por medo. 

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